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Calibração G7: O método de calibração que revolucionou o gerenciamento de cores

Nos últimos anos no Brasil, o termo G7 tem sido muito utilizado para falar em gerenciamento de cores, porém poucas pessoas de fato entendem o que é e o que faz uma calibração G7. Este método de calibração foi criado em 2006 por Don Hutcheson, presidente da IDEAlliance, uma associação da indústria de comunicações gráficas norte-americana que possui representatividade internacional em diversos países. A sigla G7 quer dizer Gris + 7 cores: as primárias Ciano, Magenta, Amarelo, Preto e as secundárias Vermelho, Verde e Azul.


A Calibração G7 foi criada com o intuito de criar uma aparência colorimétrica comum entre dispositivos e substratos de impressão independentemente da tecnologia e da tinta utilizada. O método, baseado no “segredo de 100 anos da fotografia” inicialmente fora estabelecido na impressão offset, porém seu algoritmo permite que seja utilizado em qualquer sistema de impressão digital e analógico, como offset, impressão digital, comunicação visual, flexografia, rotogravura etc. Isso é tão verdade que no Brasil o método foi primeiramente utilizado pela impressão flexográfica por causa da de dificuldade de seguir uma norma específica para este tipo de impressão, diferentemente da impressão offset onde há um trabalho mais antigo e avançado neste sentido baseado subconjunto Fogra 39 da ISO 12647-2.

Gris Neutro


O método definido através do NPDC (Neutral Print Density Curve) consiste em definir um aspecto visual neutro na soma das tintas cromáticas ciano, magenta e amarelo, o qual é obtido através da criação de curvas de compensação simples diretamente no RIP do CTP ou da impressora digital.


Como podemos perceber no conjunto de imagens 1 e 2, a calibração G7 NPDC produz imagens com apelo visual aceitável ao passo que a calibração por TVI não consegue o mesmo impacto.


O TVI (Tonal Value Increase) ou Ganho de Ponto como é usualmente conhecido, ainda é o método de calibração mais utilizado atualmente, mas isto está mudando pouco a pouco, a medida que a informação é difundida. O TVI não prevê que a união das cores Ciano, Magenta e Amarelo tenha um aspecto de neutralidade, pois é criado através de coordenadas densitométricas. Sua utilidade é apenas de distribuir as tonalidades das cores primárias da cor ao longo de um degradê. Não que isto não seja importante, muito pelo contrário, sem isso correríamos o risco de estabelecer um gerenciamento de cores calçado em um range de cores muito pequeno.

A diferença é que o método G7 além de fazer essa distribuição, neutraliza o gris pois trabalha em cima de um método de linearização colorimétrica. A medição é realizada sobre as 3 cores combinadas em ciclos de interação até que o aspecto das 3 cores juntas formem um cinza neutro, equalizando as cores formada por CMY semelhantemente a cor da cor preta sozinha, como mostra a imagem 3.


O tripé da calibração G7 são os pontos HC (Highlight Contrast) na área de 25%, HR (Highlight Range) na área de 50% e SC (Shadow Contrast) na área de 75% ao passo que o TVI é medido cor por cor (C M Y e K) separadamente.

É possível obter um gris neutro utilizando o TVI, desde seja seguida exatamente uma especificação como por exemplo o Fogra39 que, assim como uma receita dita os ingredientes, especifica qual papel, qual tinta e qual o TVI utilizar. Qualquer alteração em um dos componentes da receita, por exemplo na propriedade da tinta, este aspecto visual se perde.


Substrato padrão G7


Essa é uma dúvida muito comum. Qual seria a cor padrão do substrato para a calibração G7? O padrão G7 nasceu para incorporar qualquer cor de mídia, por isso não existe papel padrão G7. As curvas G7 NPDC e o balanço de gris são relativos a todos os substratos, portanto funciona em qualquer um. Substratos amarelados terão o gris adaptado a cor amarela. Substratos azulados, adaptados a cor azul e assim por diante. Isto foi desenvolvido de modo a utilizar a adaptação cromática, que é o


balanceamento automático da visão humana de acordo o ponto mais claro do ambiente ou de um substrato. A única desvantagem desta característica é se uma mesma campanha de um produto tiver que trabalhar com vários substratos sendo eles diferentes e expostos lado a lado. Nossa visão não conseguirá, neste caso, adaptar os 2 impressos ao mesmo tempo, então a calibração G7 poderá vir acompanhada de um perfil de cores para compensar estes resultados.


G7 e a gestão de cores


Para que um gerenciamento de cores seja completo ele precisa do método de calibração em conjunto com a caracterização de cores, ou mais popularmente falando, um perfil ICC. Entretanto devido a sua característica de neutralidade, se fizermos apenas uma calibração G7 já teríamos um ganho enorme se comparado a calibração TVI, pois o TVI na grande maioria das vezes necessita ser acompanhado de um perfil para funcionar corretamente, pois do contrário o departamento de pré-impressão não teria parâmetros para tratamento de imagem e escolha de cores. O principal testchart utilizado na calibração G7 é nomeado como P2P51, conforme imagem 5, e contém, além das combinação das cores primárias e secundárias as linhas 4 e 5, imprescindíveis para alcançar a neutralidade.

A certificação G7


A Idealliance, além de criar o método de calibração G7, também criou um sistema hierárquico de certificação. Sim, esta calibração pode ser certificada dentro da indústria da impressão e quando isso acontece a gráfica ou a convertedora recebe um certificado reconhecido mundialmente como G7 Master. Primeiramente, antes de certificar a indústria da impressão a Idealliance certifica profissionais para atuarem como G7 Experts. Estes profissionais passam por uma imersão e treinamento, onde, para serem aprovados, têm seu conhecimento avaliado com nota de corte de 90%. Os técnicos G7 Experts são aptos a treinar a indústria gráfica, convertedoras, editoras, agências etc. As principais empresas multinacionais exigem atualmente que seus fornecedores de serviços de impressão sejam certificados no Método G7, resultando em maior previsibilidade no acabamento final de seus produtos. Os profissionais que alcançarem até 80% são denominados G7 Professionals. No caso eles fazem tudo que um G7 Professional faz, porém não podem treinar um G7 Master.


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